A partilha de informações de forma prática e simples, permite complementar saberes entre profissionais e acrescentar experiências com os que, perante um imprevisto, precisam de forma informada agir eficazmente - crianças, jovens e adultos/famílias.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Desenvolvimento da Pragmática - Modo como a linguagem é usada para comunicar

          Até aos 2 anos a linguagem usada na conversação é simples e reduzida ao "aqui e agora". A criança fala sobre aquilo que vê e sobre a sua experiência do mundo (por exemplo, fala sobre objectos não presentes como se estivessem presentes). A criança já tem no entanto capacidade de esperar a sua vez, "pega a vez" e usa diferentes formas para chamar a atenção de uma pessoa, por exemplo aponta para um objecto e olha para o adulto, toca na pessoa. Já é capaz de chamar a pessoa pelo nome e espera uma resposta.
          Aos 2-3 anos introduz tópicos e mantém uma pequena conversa de 2 ou 3 turnos. Já responde com manutenção do tópico de forma a continuar uma conversa.
          Entre os 3-4 anos começa a adaptar a linguagem às necessidades do interlocutor, desenvolvendo a capacidade de tomar em consideração a perspectiva deste, ou seja, já faz pressuposições. Por exemplo, falam de forma diferente quando se dirigem a bebés, ou crianças muito mais novas que eles, e usam formas indirectas ao fazerem pedidos ("eu gosto muito desses rebuçados!").
           Na idade dos 3-4 anos, a criança ainda não é capaz de fazer reformulações ou clarificações de forma a ser compreendida. Se for pedida uma clarificação a criança repete a frase, sem fazer modificações.
           Só mais tarde, na idade escolar é que a criança faz uso de diferentes estratégias para clarificar o que não foi entendido. Por exemplo, dá mais informações, reformula a frase a nível sintáctico.
           Aos 4-5 anos usam estruturas mais formais quando necessário ("Eu gostava de ir lá para fora" em vez de "eu vou lá para fora").
           Aos 7 anos, as solicitações indirectas são ainda mais "indirectas". Por exemplo: Olhando para uma camisola nova que a mãe comprou para a irmã, diz "esta camisola ficava muito bem com as minhas calças". No caso de um adulto "estasala está muito quente" (inferindo que se deve abrir a janela).


Contexto de situação
  • Pessoas envolvidas (modificamos a forma de linguagem de acordo com a pessoa com quem falamos)
  • Pressuposições (sobre o que o ouvinte sabe de forma a transmitirmos as nossas ideias de forma adequada)
Regras de conversação
  • Envolve saber iniar, manter e terminar uma conversa, saber esperar a vez, chamar a atenção e fazer clarificações
Funções comunicativas
  • Controlar e persuadir
  • Expressar sentimentos
  • Informar ou perguntar
  • Imaginar (histórias, faz de conta, etc)
Desde muito cedo que a criança consegue transmitir as suas intenções, mesmo que não verbalmente. Podemos dizer que há intenções comunicativas inatas: Regulação de comportamentos, interacção social e atenção conjunta (partilha de objecto ou acontecimento).
Ver classificação de Halliday

Alterações a nível Pragmático:
  • Dificuldade nas pressuposições - não dão toda informação de forma a percebermos o que nos querem transmitir;
  • Dificuldade na compreensão da globalidade de uma pergunta: atendem apenas a uma palavra ou outra e respondem com tópicos apenas vagamente relacionados;
  • Ecolalia: não perceberam o que lhes foi perguntado;
  • Dificuldade nas regras de conversação (chamar a atenção, tomar a vez,...);
  • Usam apenas as funções comunicativas mais básicas.
Alterações relacionadas com...
Dificuldades de recepção e/ou tratamento da informação sensorial (perturbações específicas da linguagem, autismo, surdoscegos,...);
Problemas emocionais (mutismo electivo);
Deficiente exposição a situações comunicativad (surdez, paralisia cerebral,...).

Retirado de "Alterações da linguagem na criança pré-escolar"
Eileen Sua Kay


Aqui está um vídeo, com bastante humor, onde se podem evidenciar sinais de perturbação da pragmática :)

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